Conmebol rejeita ação do Flamengo e mantém Estudiantes na final da Libertadores
A reunião que recalculou a situação financeira do Flamengo em 2026 e confirmou a expectativa de que o clube vai fechar o ano no vermelho também serviu para projetar o impacto no 2027 rubro-negro.
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No encontro da última quarta-feira, na Gávea, diante de 56 membros do Conselho de Administração, o presidente Bap previu um próximo ano ainda mais difícil financeiramente para todos os clubes brasileiros e antecipou que o Flamengo será ultraconservador, ao menos na primeira janela.
José Boto e Bap no Ninho do Urubu, CT do Flamengo
Marcelo Cortes / CRF
A ideia da diretoria é contratar só reforços que estiverem livres no mercado para não precisar gastar em compra de direitos econômicos, como já fizeram com Jorginho e Danilo, por exemplo. O plano será seduzir jogadores em fim de contrato com melhores salários, apostando que outros clubes estarão em situações piores para segurá-los.
A Comissão Permanente de Finanças do Flamengo também defendeu "gastar menos e vender mais" para equilibrar o caixa do clube. Diante disso, Bap anunciou que a ideia é arrecadar de 40 a 45 milhões de euros (R$ 238 a R$ 267 milhões na cotação atual) em vendas, mas prometeu não se desfazer de "jogadores que vão impactar esportivamente o time".
Presidente admite erros em 2026
Na reunião, que aconteceu enquanto o Palmeiras tropeçava contra o Santos, dando a chance de o Flamengo abrir vantagem na disputa pelo título brasileiro, Bap também foi cobrado para dar explicações. Principalmente sobre como um ano em que ele dizia poder gastar R$ 1 bilhão vai terminar com déficit de R$ 40 milhões.
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Bap admitiu alguns erros, como por exemplo não ter aceitado a primeira proposta de 10 milhões de euros (R$ 62 milhões na época) do Bragantino por Wallace Yan, que acabou negociado na última janela, com o mesmo clube, por 6 milhões de euros (R$ 35,5 milhões) mais um jogador da base.
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Sem citar nomes, o presidente rubro-negro também disse que poderia ter vendido no meio do ano dois jovens da base que "poderiam ter resolvido o problema" financeiro de 2026. Um deles é o zagueiro João Victor, por quem o Flamengo vem recusando propostas na casa dos 10 milhões de euros (cerca de R$ 60 milhões).
Sobre a onerosa contratação de Paquetá, que teve um custo total de R$ 315 milhões e foi criticada por opositores, Bap alegou que não teria feito esse investimento se soubesse que não teria algumas receitas previstas. Ele citou como exemplo o fato de não ter conseguido vender o Plata, a negociação frustrada pelo "naming rights" do Maracanã e a suspensão do seu patrocínio master.
Boto, Paquetá e Bap em apresentação no Flamengo
Gilvan de Souza/Flamengo
Apesar do rombo orçamentário de aproximadamente R$ 220 milhões (previsão de R$ 180 mi positivo para R$ 40 mi negativo), o Flamengo em nota oficial minimizou o maior endividamento e destacou que a dívida está controlada, como mostra o seguinte trecho:
"Mesmo sem atingir a meta prevista no orçamento original, os índices de endividamento do Flamengo permanecem em níveis confortáveis. A relação entre a dívida e a capacidade de gerar caixa, chamada de alavancagem, está em 1,2x comparada ao EBITDA recorrente, abaixo do registrado em dezembro de 2024, quando o índice era de 1,8x. (...) Na prática, isso significa que o Flamengo seria capaz de quitar toda a sua dívida em cerca de um ano e alguns meses apenas com o caixa gerado pela operação, sem depender de receitas extras."
Indignação pela Libertadores
Caso tivesse conseguido ir para a final da Libertadores e fosse campeão, o Flamengo teria embolsado mais R$ 165 milhões e salvaria com folgas o ano em termos financeiros. Mas a eliminação nos pênaltis para o Estudiantes na semifinal impediu esse cenário.
Marcos Rojo lamenta chance perdida em Flamengo x Estudiantes
Buda Mendes/Getty Images
O Flamengo ainda tentou pleitear a vaga na decisão nos tribunais, por uma suposta escalação irregular de Marcos Rojo, do time argentino, mas não obteve sucesso. Em comunicado enviado à imprensa, a diretoria rubro-negra alegou que a Conmebol mudou sua posição nos bastidores e disse que vai aguardar o fim do processo no CAS (Corte Arbitral do Esporte), o tribunal da Fifa.
Mas diante dos conselheiros, Bap jogou a toalha e apontou como injusta a decisão da Conmebol. "Eu tenho muitas dúvidas que se fosse o Flamengo fazendo o que o Estudiantes fez, o que o mundo estaria dizendo a respeito disso?", indagou o presidente.
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