Notícia

"Beber suco de raiva": Marino brinca com expressão e cita foco antes de nova decisão no Vasco

07/11/2026

"Beber suco de raiva": Marino brinca com expressão e cita foco antes de nova decisão no Vasco

"Beber suco de raiva". Foi com essa expressão peculiar que Marino descreveu o espírito do grupo do Vasco após a virada por 3 a 2 sobre o Corinthians, no último jogo da equipe em São Januário, em que o colombiano anotou dois gols decisivos da vitória pelo Campeonato Brasileiro. A melhor atuação do atacante até aqui pelo clube carioca.

O sentimento trazia a atmosfera de redenção do elenco depois de uma dura eliminação contra o Boca Juniors e, segundo Marino, permanece para este domingo, quando a equipe busca reverter o resultado contra o Palmeiras e chegar à final da Copa do Brasil. A bola rola às 17h (de Brasília), em São Januário, pelo jogo de volta das semifinais. O time paulista venceu a ida por 1 a 0, no Nubank Parque.

"Não sei se vamos beber o suco de raiva ou suco de qualquer coisa, mas a gente tem que beber alguma coisa. E com certeza a gente vai beber para virar esse jogo. A gente precisa para disputar uma final que seria muito importante para nós e para nossa torcida", afirmou Marino em entrevista ao Globo Esporte.

— São Januário, para mim, é minha segunda casa. É onde eu, como jogador, me sinto confortável. E meus companheiros também. A gente tem conseguido resultados muito bons, com a torcida cantando essa canção que "é o time da virada". É muito importante para a gente. A gente virou a chave, estamos focados no domingo — completou o atacante.

Marino Hinestroza falou com exclusividade para o Globo Esporte antes da decisão e de mais um reencontro com o Palmeiras, clube que defendeu nos tempos de categoria de base.

Aos 17 anos, o jovem colombiano foi descoberto pelo time paulista em um torneio no Rio Grande do Sul e foi contratado em 2020. Por lá, Marino não chegou a atuar no profissional, mas foi relacionado por Abel Ferreira em alguns duelos do time profissional. A passagem durou cerca de um ano. Conheça a história completa no link.

— A passagem pelo Palmeiras foi a melhor etapa da minha vida como homem, porque cheguei nesse país muito jovem, com 17 anos. Uma cultura diferente, idioma diferente, isso me fez amadurecer muito rápido como homem e jogador. O Palmeiras é um time que está sempre lutando nos torneio. Então, aprendi muito quando subi ao profissional. Eram muitos jogadores com muita importância — revelou

— Lembro do Deyverson, Felipe Melo... Até bati um papo com ele um vez no treino. Na pandemia, subi vários jogos, mas não entrei. Não alcancei jogar no profissional, mas aprendi muito nos treinos — continuou Marino.

Descoberto nas ruas de Cali

A infância de Marino foi bastante difícil. O jogador cresceu às margens do Rio Cali em uma comunidade no bairro Olaya Herrera, um dos mais violentos da cidade de Cali. Desde criança, destacava-se nas quadras do bairro e trilhou o caminho do futebol a partir de um agente de trânsito da cidade que o viu jogar e o levou para um projeto social no Club Deportivo San Luis II onde também trabalhava.

Leonardo Molina, a quem Hinestroza chama de "segundo pai", ajudou na compra de suas primeiras chuteiras e uniformes, além de incentivá-lo diariamente a ir aos treinos para ajudar a família do menino, então com apenas dez anos, cercada por um cenário de extrema pobreza.

— É o cara que eu chamo de segundo pai. Estou sempre conversando com ele. É uma pessoa muito importante para mim. Ele continua trabalhando no trânsito. Sempre vou agradecer a ele, saber que foi ele quem me descobriu, quem me ensinou os primeiros passos no futebol. Sempre vou ter gratidão por ele. Sempre que tiver a oportunidade de falar dele, vou falar dessa maneira: com um sorriso no meu rosto. Lembrar dessa pessoa para mim é muito gratificante — contou.

Com a ajuda de Leonardo Molina, Marino driblou as dificuldades até se consolidar como profissional. Depois de passagem de destaque pelo Atlético Nacional, foi contratado pelo Vasco no início de 2026 por R$ 30 milhões. No clube carioca, Hinestroza, como sempre foi conhecido na Colômbia, quis realizar uma singela homenagem ao seu pai de sangue e ser chamado apenas de Marino:

"Meu pai é meu super herói. É um cara que sempre esteve do meu lado, que sempre me apoiou, que sempre lutou comigo. Levar o nome dele nas minhas costas representa muito. E sei que para ele também, porque fica muito feliz por isso", disse Marino.

— Minha história com o meu pai é muito linda. Ele sempre foi meu protetor, sempre cuidou de mim, sempre me ensinou bastante coisas. O que eu mais lembro é isso, a questão do trabalho. Ele trabalha na construção lá na Colômbia. Às vezes eu ajudava ele. Eu o admiro muito. Esse é um trabalho pesado, que desgasta bastante. Além disso, ele sempre teve tempo para me apoiar, para me levar para os treinos quando era criança. Sempre vou lembrar disso como a melhor parte da minha infância — relembrou.

Em sua segunda passagem pelo Brasil, Marino encontrou dificuldades para conquistar espaço. Reserva em boa parte da passagem pelo clube, o colombiano chegou a ficar de fora de alguns jogos por opção técnica e recebeu sondagens para sair por empréstimo na janela de julho.

O atacante, porém, decidiu permanecer no elenco e conseguiu uma virada de chave sob a batuta de Pedro Emanuel. Com o técnico português, o colombiano acumulou boas atuações saindo do banco de reservas e passou a ganhar mais espaço na equipe. A grande atuação veio em um jogo crucial: os dois gols marcados contra o Corinthians foram decisivos para a vitória por 3 a 2 e consolidaram o novo momento do jogador.

O confronto com o Palmeiras surge, assim, como mais uma oportunidade para Marino consolidar a boa fase e transformar o bom momento em protagonismo definitivo.

+ ✅Clique aqui para seguir o canal ge Vasco no WhatsApp

🗞️ Leia mais notícias do Vasco

🎧 Ouça o podcast GE Vasco 🎧

Assista tudo sobre o Vasco no ge, na Globo e no SporTV:

Compartilhe
InfoCel Rádios
No ar
InfoCel RádiosStreaming Profissional