Veja como é a rotina de Clarisse Vallim, brasileira bicampeã mundial cadete de judô
O Brasil subiu no topo do pódio das Olimpíadas da Juventude de Dakar 2026. Nesta terça-feira, Clarisse Vallim confirmou o status de fenômeno do judô e conquistou o ouro da categoria até 78kg. Bicampeã mundial cadete na categoria até 70kg, a carioca de 16 anos selou o título com uma imobilização nos últimos segundos da final contra a russa Anastasiia Dobrovolskaia, de 17 anos. O hino brasileiro ecoou no Senegal para a judoca do Flamengo.
+ Ana Julia Amaral leva primeira medalha do Brasil nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Dakar
Clarisse Vallim derrota russa e conquista ouro no judô dos Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026
Wander Roberto/COB
Clarisse é uma promessa do judô brasileiro. Bicampeã mundial cadete na categoria -70kg, ela foi a cabeça de chave número 1 em Dakar mesmo competindo na categoria -78kg - não houve disputa da -70kg nas Olimpíadas da Juventude.
Atleta do Flamengo, a carioca começou no judô aos quatro anos de idade incentivada pelo pai, Deivim. Ela não gostava muito do esporte e chegou a se afastar dos tatames, mas só por uma semana. Ver Rafaela Silva conquistar o ouro nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, foi uma inspiração para Clarisse retornar ainda criança ao judô e construir uma trajetória vitoriosa nas categorias de base. Ela hoje é treinada no Flamengo pelos senseis Rosicleia Campos, Renan Moutinho, Walter Matheus e Murilo Gouveia. Na seleção brasileira, ela é acompanhada por Maria Portela.
Clarisse Vallim e a treinadora Maria Portela nos Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026
Wander Roberto/COB
Esta foi a segunda medalha do Brasil em Dakar 2026. A primeira foi conquistada por Ana Júlia Amaral, com o bronze nos 100m borboleta da natação. Considerando as quatro edições dos Jogos Olímpicos da Juventude já disputadas, esta foi a 34ª medalha do Brasil na história do evento - o país tem 11 ouros, 13 pratas e dez bronzes. O país tem também um bronze em Olimpíadas da Juventude de Inverno.
Clarisse é a quarta judoca brasileira a subir ao pódio nas Olimpíadas da Juventude, a segunda a ser campeã do evento. Ela repete o feito de Layana Colman, medalhista de ouro na categoria até 52kg em Nanquim-2014. Flávia Gomes (63kg) foi prata em Singapura-2010 e Eduarda Vaz Rosa (78kg) foi bronze em Buenos Aires-2018. O judô é a única modalidade em que o Brasil esteve no pódio de todas as edições dos Jogos da Juventude, embora o país tenha mais medalhas na natação (sete) e na ginástica artística (cinco).
Clarisse Vallim nos Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026
Wander Roberto/COB
O caminho para o ouro
Por ser cabeça de cabeça de chave, Clarisse já estreou nas quartas de final. A brasileira já tinha um waza-ari quando conseguiu o ippon diante de Arba Hasanaj, de Kosovo. Na semifinal, Clarisse também venceu por ippon a cubana Kayla Pita. Na final contra Dobrovolskaia, Clarisse saiu de uma difícil situação quando a russa fez um bom trabalho de solo e chegou a abrir contagem para uma imobilização, mas não conseguiu pontuar. Nos segundos finais, a brasileira encontrou o caminho da vitória justamente no ne-waza (luta de solo). A imobilização perfeita selou o ouro com mais um ippon.



