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Como Antonelli conquistou o título da F1? Veja 5 motivos que explicam o sucesso do jovem campeão

02/11/2026

Como Antonelli conquistou o título da F1? Veja 5 motivos que explicam o sucesso do jovem campeão

O italiano Kimi Antonelli se tornou o mais jovem campeão da história da Fórmula 1 após subir ao pódio do GP do México, disputado no domingo (1), no Autódromo Hermanos Rodríguez. Com o terceiro lugar, o piloto da Mercedes não pode mais ser alcançado e bateu o recorde ao conquistar o título mundial com apenas 20 anos – superando os 23 que Sebastian Vettel tinha em 2010.

Com nove vitórias na temporada e uma consistência impressionante ao longo de todo o ano, Antonelli se tornou campeão de forma incontestável em 2026 – mas o que explica, afinal, um piloto que está apenas em seu segundo ano na maior categoria do automobilismo mundial conseguir um feito tão impressionante? São muitas as razões, claro, mas o ge.globo separou os cinco principais motivos que tornaram Kimi Antonelli o mais jovem campeão da história da F1.

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1. Apoio da Mercedes desde o kart

O enorme sucesso no kart é o ponto de partida para entender como Kimi Antonelli chegou ao título mundial da F1. A base familiar do piloto ajuda a explicar o bom início no esporte. O pai de Kimi, Marco, fez carreira em carros de turismo e pôde ensinar os principais conceitos do automobilismo ao filho, além de ser a grande proteção nos momentos difíceis, como o jovem italiano apontou em entrevista ao ge.globo, na etapa de Austin, na semana passada:

– Meu pai é meu porto seguro. Ele é, junto com minha mãe e o resto da família, quem melhor me conhece e sabe como lidar comigo em certas situações. E, sim, enquanto eu crescia, ele foi me ensinando tudo o que sabia, primeiro sobre corridas e agora mais sobre a vida. É muito importante para mim ter alguém como ele durante as corridas, especialmente em um ano tão importante. Eu realmente valorizo muito isso.

Sabendo das dificuldades financeiras, Marco Antonelli soube também gerenciar a carreira do filho no início e fechar uma parceria de sucesso com a Mercedes desde o kart.

– Quando eu era pequeno, antes mesmo de tudo começar, meu pai não queria que eu corresse porque o esporte pode ser muito cruel às vezes. E, especialmente do ponto de vista financeiro, é muito difícil quando você não tem o apoio certo. Sempre serei muito grato à Mercedes, porque foram eles que apostaram em mim quando eu era bem pequeno. Basicamente, sem eles, eu não estaria aqui hoje, pois foram eles que me apoiaram durante todo o caminho, desde o kart até agora. Foram eles que me deram as oportunidades. É por isso que meu pai não queria que eu corresse, porque, infelizmente, quando ele mesmo corria, teve que enfrentar essa realidade. Não tinha nenhum apoio financeiro e não conseguiu continuar com sua carreira no automobilismo – relatou Kimi.

A experiência da família foi importante para colocar Antonelli nos caminhos certos, até receber o apoio fundamental da Mercedes quando já se destacava como um dos melhores talentos da Itália no kart, vencendo competições internacionais no WSK (World Series Karting), campeonato que revelou nomes como Max Verstappen, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel.

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2. Saída de Hamilton para a Ferrari

Com o apoio da Mercedes, Antonelli conseguiu a tranquilidade para avançar na carreira, chegando aos fórmulas – uma transição na qual muitos pilotos esbarram em dificuldades financeiras para conseguir boas vagas e chamar atenção das equipes de F1. Kimi foi para a melhor escuderia da F4 Italiana, a Prema, e venceu o campeonato e a etapa seguinte, na FRECA – inclusive com duelos diretos com o brasileiro Rafael Câmara.

O talento precoce fez com que a gestão da Mercedes optasse por “pular” a F3, colocando Kimi direto na F2. Queimar etapas foi ruim para o desenvolvimento do piloto, que não conseguiu lutar pelo título em 2024, perdido justamente para o brasileiro Gabriel Bortoleto. Mas, no começo daquela temporada, o choque da F1 foi a saída repentina de Lewis Hamilton da Mercedes, indo para a Ferrari e abrindo uma vaga na equipe alemã.

Toto Wolff apostou no jovem talento, mais uma vez acelerando em um ano a carreira de Antonelli, que provavelmente passaria mais uma temporada na F2 ou como piloto de testes caso Hamilton não saísse da Mercedes. Contou também a favor para a rápida promoção do italiano a frustração de Toto com um outro jovem talento que ele acabou não contratando para a Mercedes: Max Verstappen. Com Kimi, o chefe da equipe alemã mostrou que não deixaria uma nova oportunidade passar.

3. Força mental no pior momento na F1

No dia do anúncio de que seria titular da Mercedes em 2025, Kimi Antonelli bateu no treino livre 1 com apenas dez minutos de sessão. O constrangimento foi ainda maior porque o acidente ocorreu justamente em Monza, na casa do italiano. Mas a dificuldade mesmo veio no ano de estreia na F1, em especial na temporada europeia, quando ficou nove corridas sem pontuar e viu George Russell dominar o ano de forma impressionante em relação ao companheiro de equipe.

Kimi conquistou seu primeiro pódio apenas no Canadá e, em Spa-Francorchamps, chegou a chorar após uma corrida decepcionante. A virada veio no fim do ano, com bons resultados, como o segundo lugar no GP São Paulo, e o piloto explicou sobre o processo de amadurecimento:

– Obviamente, amadureci muito. Sinto que o ano passado foi um grande aprendizado, tanto nos bons quanto, principalmente, nos maus momentos. E, por piores que tenham sido esses momentos ruins, consegui me distanciar, resetar e, de fato, retomar aquele bom nível de desempenho. Isso me fez crescer, minha mentalidade também mudou bastante em comparação ao ano passado. E, basicamente, parei de me preocupar com o que aconteceu anteriormente, focando apenas em viver o presente da melhor forma possível – disse Antonelli ao ge, em Mônaco, durante etapa de 2026.

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4. Maior mudança de regulamento da F1 em 2026

Depois de se recuperar de um ano de estreia difícil, Kimi Antonelli teve seu grande trunfo ao ver a Mercedes dominar a F1 com o novo regulamento, que trouxe a maior mudança de regras em mais de 75 anos de história da categoria.

Com uma impressionante vantagem da unidade de potência, o time dominou o começo da temporada, e foi justamente onde Antonelli imprimiu uma sequência impressionante de vitórias, para poder administrar a enorme vantagem mesmo quando equipes como Ferrari, McLaren e Red Bull melhoraram seu conjunto.

Antonelli soube aproveitar o carro dominante para encaixar nove vitórias: China, Japão, Miami, Canadá, Mônaco, Bélgica, Itália, Madrid e Austin, vencendo justamente o duelo interno na Mercedes e abrindo uma vantagem significativa sobre os concorrentes de outras equipes. Quando Ferrari e Red Bull voltaram a vencer corridas, Antonelli já estava disparado na frente da tabela.

5. Vitória no duelo interno na Mercedes

O estilo agressivo de pilotagem, freando o mais tarde possível, ajudou a obter vantagem em cima de seu companheiro de equipe, George Russell, segundo o próprio britânico contou ao ge.globo em Austin.

– Meu estilo de pilotagem privilegia uma saída forte da curva e, neste novo regulamento, isso é uma desvantagem – explicou.

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É claro que Russell buscou evolução, mas Antonelli mostrou maior capacidade de adaptação e com isso venceu o duelo interno, mesmo após um revés inicial na primeira corrida do ano, em Albert Park, no GP da Austrália.

Além disso, Antonelli não se intimidou com um companheiro de equipe mais experiente e buscou o duelo direto pela vitória sempre que possível – como no Canadá, onde chegaram a se tocar na briga pela vitória. Outro fator importante dentro da Mercedes foi o casamento de sucesso com seu engenheiro, Peter Bonnington (Bono), que também trabalhou com Hamilton e criou um sentimento de “time dentro do próprio time” na Mercedes.

Assim como seu ídolo, Ayrton Senna, no primeiro ano de McLaren, Antonelli soube se impor no duelo interno em que a Mercedes deixou seus pilotos livres para disputar o título e, com isso, garantir que o mais veloz vencesse a disputa – e esse piloto foi Kimi.

A vitória em Monza, onde largou nas últimas colocações por conta da troca de motor, foi o ponto final em que Russell viu que, para este primeiro ano de novo regulamento e carro da Mercedes dominante, seria impossível bater Antonelli, que assim se tornou o mais jovem campeão da história da F1.

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