Titular do Santos com Cuca, Gustavo Henrique quase desistiu do futebol aos 14 anos, quando foi dispensado pelo próprio clube. Hoje com 21, o volante se define como resiliente e diz buscar essa característica no amigo Gabriel Bontempo.
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A dispensa veio pouco tempo depois de Gustavo Henrique ser eleito o melhor jogador da Copa Ouro sub-13. O volante contou como viveu esse período, quando voltou para a casa da família, em Limeira, no interior paulista, e passou a duvidar da própria continuidade no futebol. Um período que o moldou para o que viria pela frente.
– Eu comecei com 11 anos lá no Corinthians. Com 12, já vim para o Santos. Joguei o sub-12 e o sub-13, quando fui eleito o melhor jogador da Copa Ouro. No sub-14, fui dispensado por ser pequeno, franzino. Falei: "Não é possível. Por quê, Deus?". Já estava desacreditado do futebol e falava com a minha mãe que queria achar alguma coisa para fazer, porque sempre quis ajudá-la. Ela pediu calma e falou para eu esperar mais um pouco.
– Em dezembro, eu estava treinando na escolinha, em Limeira, e ligaram para o meu treinador dizendo que queriam que eu voltasse. Eu, que já estava desacreditado, fiquei muito feliz de novo. Voltei. Eu não estava em nenhum clube. Tentei em alguns, mas não deu certo. Comecei a achar que o futebol não era para mim, que não daria certo, e pensei em tentar outra coisa.
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A volta de Gustavo Henrique ao Santos começou com um pedido do técnico Bruno Silva, que já havia trabalhado com o volante no Corinthians e assumira o sub-15 santista.
– Ao ser promovido ao sub-15, em 2019, o Gustavinho, ainda com 14 anos, é liberado pela comissão técnica por questões físicas, por questões maturacionais. Ele era um menino muito franzino naquele período. Eu sou convidado e promovido ao sub-15 na virada de 2019 para 2020 e faço um pedido aos coordenadores para chamar o Gustavinho novamente, para recontratá-lo, porque acreditávamos que ele era um jogador extremamente talentoso, muito inteligente, com muita qualidade técnica e entendimento de jogo – conta Bruno Silva.
– Acreditávamos que a maturação física era um estágio temporário e que, no fim do processo, ele poderia se tornar um grande jogador. Ele tinha muito potencial e demonstrava isso. No entanto, o Gustavinho tinha maturação tardia. A idade cronológica dele não correspondia à idade biológica. Era um menino que aparentava ser dois anos mais novo do que os garotos de 15 anos. Então, se você analisar as imagens da época, o Gustavinho estava atrasado no processo de maturação. Ainda assim, conseguia se equiparar por causa da qualidade técnica, do entendimento de jogo e da inteligência – completou.
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Nesta temporada, Gustavo Henrique soma 31 jogos pelo time profissional do Santos. O volante se define como um torcedor dentro de campo. A identificação com o clube ajuda a explicar a reação no gol de Philippe Coutinho contra o Fluminense, quando bateu no escudo do Santos.
– Eu sou santista. Sou um torcedor dentro de campo. Foi a emoção ali, no calor do momento. Conseguir aquela virada foi muito bom. Estar no Santos é muito bom, ser Santos é muito bom. É um sentimento que não tem como explicar. Só quem vive, só quem é mesmo, sabe.
Gustavo Henrique tem sido um dos destaques defensivos do Santos, sobretudo nos desarmes. Para ele, esta é uma das principais características do seu futebol, além da raça.
– Acho que é a minha característica, sim. Desde a base, sou um cara que marca mais, que corre, que incentiva. Sou o jogador para o qual as pessoas olham e percebem que eu quero o jogo. Estou sempre marcando, dando carrinho. Acho que é isso. A minha característica é a raça mesmo.
Bruno Silva ressaltou que a qualidade do volante já aparecia desde a base e destacou a inteligência de jogo do santista.
– Um menino muito resiliente. Sempre foi um jogador resiliente, trabalhador, dedicado, esforçado e disciplinado. Acho que essas características ajudaram no desenvolvimento dele e o blindaram um pouco diante dessa desvantagem física momentânea. Eu acredito na inteligência de jogo do Gustavinho. Sempre foi um atleta de muito bom perfilamento corporal, que escaneava e monitorava muito bem as ações. Ele antecipava os movimentos dos adversários, e isso facilitava o jogo sem contato, naquele momento, quando tinha a bola.
– Na fase defensiva, ele sempre foi muito aplicado, como é até hoje. Sempre nos impressionou a capacidade de vencer duelos defensivos. Dificilmente o Gustavinho errava uma abordagem, uma entrada ou um bote no adversário. Ele sofria com a desvantagem física, mas compensava com a velocidade de raciocínio, a boa tomada de decisão e a capacidade de antecipação.
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A resiliência citada por Bruno Silva é uma característica que Gustavo Henrique vê como exemplo no amigo Gabriel Bontempo, companheiro desde as categorias de base, a quem chama de GB.
– Eu sempre estive do lado do GB, sempre acompanhei. Somos da mesma categoria, da mesma idade. O GB passou por muitos momentos difíceis. É um cara muito resiliente. Eu me inspiro muito nele pela resiliência, pelo jeito dele. Um moleque humilde. Não tenho palavras para falar do GB. Eu me inspiro, sim. Ele merece estar vivendo tudo o que está vivendo. Merece, ele é zica.
Em campo, o volante traça alguns objetivos. No plano pessoal, quer marcar o primeiro gol com a camisa do Santos. E, dependendo do esquema, garante que recebe incentivo de Cuca para arriscar mais.
– É um objetivo. Tem que ser um objetivo fazer gol. Vai sair no momento certo. Eu sei que vai sair naturalmente. Vou continuar trabalhando, vou continuar jogando, e vai sair no momento certo. Se Deus quiser, logo menos. Nessa formação mais ofensiva, ele não pede tanto para eu pisar na área. Mas, quando eu jogava mais como segundo volante, um pouco mais à frente, ele falava para eu pisar na área e chutar no gol. Nessa função, tenho que segurar mais, né?
No plano coletivo, o principal objetivo do Santos no Campeonato Brasileiro é assegurar vaga na Conmebol Libertadores do próximo ano.
– É um grupo muito positivo, sabe? É um grupo que quer coisas boas, quer alcançar coisas boas. Nós pensamos, sim, em classificar direto, em não depender de ninguém. Esse é o nosso objetivo.
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