Ex-Ponte e Guarani volta ao futebol raíz após encerrar carreira
Aos domingos, a rotina de Alemão ainda começa com futebol. A diferença é que, depois de mais de uma década como profissional, os jogos agora acontecem nos campos de Valinhos, ao lado de amigos e familiares. Aos 37 anos, o atacante que passou por Santos, Ponte Preta e Guarani, além de ter atuado em quatro países, vive os últimos capítulos da carreira dentro das quatro linhas.
A ligação com o futebol amador, porém, nunca foi interrompida. Mesmo quando ainda defendia o Maringá, em 2023, Alemão aproveitava as folgas para jogar pelo Grêmio Vila Unida. Em uma das ocasiões, chegou a sair do Paraná por volta da meia-noite, depois de uma partida pelo Campeonato Brasileiro, para estar em Valinhos na manhã seguinte e disputar o campeonato da cidade.
Alemão em ação pelo Maringá
Arquivo pessoal
— Tem coisas na vida que o dinheiro não compra. De poder estar uma manhã, um domingo de manhã, passar algumas horas com seus amigos, jogando o campeonato da sua cidade.
Do peixe para o mundo
Foi no Santos que Alemão deu os primeiros passos mais importantes. Ainda muito jovem, morou sob as arquibancadas da Vila Belmiro, estudou e passou pelas categorias de base até chegar ao profissional. É uma passagem que ele considera fundamental não apenas para o jogador, mas também para a pessoa que se tornou.
— O Santos foi o que criou não só o jogador, mas o homem. Eu cheguei muito novinho no Santos, morei debaixo daquelas arquibancadas da Vila Belmiro, e ali eu cresci, estudei, fui passando etapa por etapa. É o time que eu carrego no meu coração, sou santista.
Alemão comemora título ao lado de Paulo Henrique Ganso nos tempos de Santos
Arquivo pessoal
Depois do Santos, a carreira ganhou outros destinos. Alemão passou pela Udinese, na Itália, onde chegou a aprender o idioma, e também jogou na Holanda e na Coreia do Sul. No México, viveu uma das histórias mais marcantes: contratado pelo Cruz Azul, chegou sem ser conhecido e precisou aproveitar rapidamente a oportunidade.
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Ele dividia espaço com o paraguaio Roque Santa Cruz quando o atacante se machucou logo na estreia. Alemão entrou em campo contra o Santos Laguna e marcou o gol da vitória por 1 a 0. A atuação abriu espaço no elenco e fez com que ele conquistasse a torcida mexicana.
Roque Santa Cruz em ação pela seleção do Paraguai
Arquivo pessoal
Ponte, Guarani e uma nova fase
De volta ao Brasil, Alemão ganhou destaque na Série B pelo Guaratinguetá, com 14 gols em 21 jogos, e voltou a despertar o interesse de clubes maiores. Escolheu a Ponte Preta, principalmente pela possibilidade de ficar perto de Valinhos. Foram duas temporadas no clube, com 11 gols e uma identificação que permanece até hoje.
Depois, veio o Guarani. Mesmo sem ter conseguido repetir o desempenho esperado, Alemão guarda gratidão pela oportunidade e, principalmente, orgulho de ter defendido os dois principais clubes de Campinas.
Alemão com o troféu de campeão do interior quando jogava pela Ponte Preta
Arquivo pessoal
— Como valinhense, ter jogado na Ponte e no Guarani, sabendo da história e da rivalidade que existe, é algo que me deixa muito feliz.
Alemão também acompanha de perto o momento da Ponte e Guarani e não esconde a tristeza ao ver os dois clubes em situação difícil. O ex-atacante espera que Campinas volte a ter os times em condições de brigar por espaço na Série B do Brasileiro.
— Ver a situação da Ponte agora me deixa realmente muito triste, pelo tamanho da sua torcida, da sua história e da sua grandeza.
Alemão, ex-atacante da Ponte Preta
Victor Hafner/ Ponte preta
Ao falar da Macaca, Alemão também deixou um recado aos dirigentes que assumirem o clube. Para ele, a paixão da torcida precisa ser levada em conta na busca por dias melhores. O ex-jogador ainda reforçou que a recuperação dos dois rivais é importante para a cidade e para o futebol da região.
— Eu espero que as pessoas que entrem lá realmente tratem a Ponte Preta com muito respeito. É uma torcida totalmente apaixonada e merece respeito. Eu espero muito que tanto a Ponte quanto o Guarani possam se reerguer o mais rápido possível, porque o nosso futebol precisa dos dois, pelo menos numa Série B.
O fim da carreira profissional aconteceu em 2023, pelo Maringá. Mas a aposentadoria não significou afastamento do futebol. Enquanto ainda jogava, Alemão começou a fazer cursos da CBF e conquistou as licenças A e B para trabalhar como treinador.
A oportunidade apareceu pouco depois, no Monte Azul. Ele assumiu a equipe na fase eliminatória da Copa Paulista e, mesmo com apenas alguns jogos no comando e levou o time ao título.
Alemão Júnior na base do Santos
Arquivo pessoal
Hoje, Alemão divide a rotina entre a preparação para a carreira de treinador e os jogos do Vila Unida. Campeão em 2025, ele está novamente na disputa do campeonato de Valinhos e já marcou em quartas de final, semifinal e final.
Alemão acredita que esta deve ser sua última temporada como jogador. O corpo já sente mais as exigências do futebol, mas a relação com a várzea não deve terminar.
Alemão Júnior, ex jogador do Santos
Oscar Herculano
— A várzea sempre vai ter um lugar especial no meu coração, na minha vida e na minha história. Foi onde eu comecei e é muito do que eu sou hoje.
Do Santos à Itália, do México à Ponte Preta e ao Guarani, Alemão construiu uma trajetória que agora ganha um novo capítulo. Se os dias como jogador estão chegando ao fim, a intenção é continuar perto do futebol, seja no banco de reservas ou nos campos de Valinhos, onde tudo começou.


