O Flamengo tenta reverter sua eliminação na Libertadores contestando a escalação de Marcos Rojo, do Estudiantes, baseando-se na punição sofrida pelo Santos em 2018.
Na ocasião, o clube paulista perdeu pontos por escalar Carlos Sánchez de forma irregular, transformando um empate por 0 a 0 em derrota por 3 a 0.
O Estudiantes pagou US$ 500.000 por Rojo e recorreu ao CAS para escalá-lo no Maracanã, após a Conmebol rejeitar a inscrição do atleta na competição.
A diretoria rubro-negra alega que a escalação sem aval da Conmebol violou o regulamento e pede a vitória por 3 a 0 prevista no Código Disciplinar.
O texto relembra que outros casos de escalação irregular em 2018, envolvendo River Plate e Boca Juniors, não resultaram em punições por erros da própria Conmebol.
O Flamengo conta com um precedente da Conmebol em sua tentativa de mudar nos tribunais a classificação para a final da Libertadores, por uma suposta escalação irregular de Marcos Rojo, do Estudiantes. Em 2018, a confederação sul-americana alterou o resultado de um jogo do Santos, que acabou eliminado nas oitavas de final do torneio pelo mesmo motivo.
Na época, o Santos empatou em 0 a 0 o jogo de ida na Argentina com o Independiente, que no dia seguinte moveu um recurso na Conmebol alegando que o meia uruguaio Carlos Sánchez (curiosamente irmão de De la Cruz, atual jogador do Flamengo), foi escalado de forma irregular. A entidade abriu expediente, julgou o caso e decidiu pela punição ao Peixe com a perda do ponto que somou na partida.
Com isso, o Santos viu o empate em 0 a 0 se transformar em uma derrota por 3 a 0 e se viu obrigado a golear os argentinos no jogo da volta para continuar na Libertadores. Porém, o Peixe não passou nem perto de levar a disputa ao menos para os pênaltis. Um novo 0 a 0, desta vez no Pacaembu, sacramentou a eliminação santista (veja no vídeo acima).
Coincidentemente, o Flamengo também empatou em 0 a 0 os dois jogos da semifinal diante do Estudiantes e acabou eliminado nos pênaltis por 3 a 2.
Entenda o Caso Sánchez
Quando ainda defendia o River Plate, em 2015, Sánchez foi expulso ao agredir um gandula na semifinal da Copa Sul-Americana contra o Huracán. Em dezembro daquele ano, o jogador uruguaio recebeu uma suspensão de três jogos e multa de US$ 3 mil (R$ 11 mil na cotação da época).
De acordo com o Regulamento Disciplinar da Conmebol, a suspensão por partida teria que ser cumprida no torneio seguinte organizado pela entidade do qual Sánchez participasse, independentemente de ele ter trocado de clube.
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Logo após aquela eliminação, Sánchez disputou o Mundial de Clubes de 2015 (organizado pela Fifa) e trocou o River Plate pelo Monterrey, do México, de onde saiu em julho de 2018 para o Santos. A Libertadores daquele ano, portanto, era o primeiro torneio da Conmebol que ele disputaria desde então.
Em 2016, quando completou 100 anos, a Conmebol anunciou uma anistia a clubes e atletas com punições pendentes. Então, Sánchez teve a pena reduzida de três para um jogo – que deveria ter sido cumprida justamente na primeira partida das oitavas de final, entre Independiente e Santos.
Entenda o caso Marcos Rojo
Rojo estava no Racing e teve uma transferência conturbada, rompendo relações com o presidente Diego Milito. Apesar de seu contrato terminar em dezembro, o clube não queria liberá-lo para um rival. O Estudiantes, desesperado porque perdeu dois titulares da defesa (Pirez e Tomás Palacios), suspensos para o jogo de ida da semifinal contra o Flamengo, pagou US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões) para concluir a contratação. Além de assumir bônus de mais US$ 250 mil (R$ 1,2 milhão) se conseguisse a classificação para a final e de US$ 450 mil (R$ 2,2 milhões) em caso de título.
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Ele foi inscrito no Campeonato Argentino no lugar do lesionado Gabriel Neves. Mas como o prazo de recuperação do jogador machucado não se enquadrava nos critérios da Conmebol para a abertura de uma vaga na Libertadores, sua inscrição foi rejeitada antes de sua estreia, que seria contra o Flamengo na Argentina. O Estudiantes, no entanto, recorreu ao CAS para poder escalar o reforço no Maracanã e recebeu sinal verde. Rojo foi titular na lateral esquerda e esteve em campo até os 30 minutos do segundo tempo, quando foi substituído por Tomás Palacios.
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O Flamengo tomou conhecimento que o CAS deferiu o pedido do Estudiantes, mas afirmou no documento que seria responsabilidade do clube a utilização do jogador em um eventual julgamento. A diretoria rubro-negra entende que sem autorização da Conmebol, que é a entidade que organiza a competição, a decisão feriu o regulamento. Por isso, solicita a aplicação da pena prevista para casos de escalação irregular de jogador, que é derrota por 3 a 0 para o time infrator.
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O artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol diz que, em caso de escalação indevida de um jogador, "qualquer equipe cuja responsabilidade se determina o resultado de uma partida, será considerada perdedora desse encontro por 3 a 0" (veja na imagem acima, retirada do documento em espanhol).
Outros casos
Há outros episódios de jogadores escalados de forma irregular na Libertadores, mas que não resultaram em punições. Foram os casos, por exemplo, do atacante Ramón Ábila, do Boca Juniors, e do zagueiro Zuculini, do River Plate, ambos também em 2018.
Zuculini foi expulso em 2013, quando defendia o Racing, numa partida contra o Lanús pela Sul-Americana. Pegou quatro jogos de gancho, mas, com uma anistia dada em 2016, a pena caiu para dois. Contratado pelo River em 2018, ele disputou sete partidas da Libertadores (inclusive contra o Flamengo) até o caso vir à tona. Porém, a Conmebol admitiu que errou ao ser consultada pelo River no início daquela temporada e respondeu que o jogador estava livre para atuar.
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Por sua vez, Ramón Ábila recebeu o cartão vermelho em 2015, quando estava no Huracán, no confronto com o Independiente Santa Fe pela Sul-Americana. O atacante foi expulso por agredir o zagueiro Yerry Mina e pegou três jogos de gancho. No entanto, só cumpriu um, já na Libertadores de 2016. Depois, ele jogou o torneio pelo próprio time argentino, Cruzeiro e Boca, sem que a Conmebol se opusesse à escalação do atacante. O Libertad, eliminado nas oitavas de final, percebeu a infração e entrou com recurso, mas após o prazo de 24 horas.
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