Conmebol rejeita ação do Flamengo e mantém Estudiantes na final da Libertadores
Mesmo se for campeão brasileiro, o Flamengo que chega ao final de 2026 está bem diferente daquele projetado pela diretoria no início do ano. Após aumentar suas despesas e acumular insucessos esportivos ao longo da temporada, o clube precisou refazer o seu orçamento que previa um superávit de R$ 180 milhões. A readequação, que recalculou a rota para um déficit de R$ 40 milhões, foi aprovada nesta quarta-feira no Conselho de Administração.
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Apesar do rombo orçamentário de aproximadamente R$ 220 milhões (R$ 180 mi positivo para R$ 40 mi negativo), a proposta teve pareceres favoráveis do Conselho Fiscal e da Comissão Permanente de Finanças e foi aprovada por ampla maioria: 41 votos a favor, seis contrários e duas abstenções. Vice-presidente do Conselho Fiscal, Francisco Gularte chegou a dizer que a readequação era necessária para consertar os erros na execução do orçamento no início do ano.
Bap, presidente do Flamengo, durante reunião do Conselho Deliberativo
Mariana Sá/CRF
Embora o ajuste tenha sido aprovado, a reunião realizada na Gávea teve clima tenso e contou com a presença do ex-presidente Rodolfo Landim, que conseguiu na Justiça o direito de voltar à vida política do Flamengo após ter sido expulso pela atual gestão. Ao discursar, ele comparou a dívida que sua administração teve com a compra do terreno no Gasômetro, de aproximadamente R$ 170 milhões, com o débito atual inflado pela contratação do Paquetá, que teve um custo total de R$ 315 milhões.
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A compra de Paquetá, apesar de ter sido parcelada, foi um dos principais motivos apontados pelo diretor geral do Flamengo, Paulo Dutra, para o resultado negativo. O dirigente, que admitiu não ter conseguido os incentivos fiscais esperados, também justificou a atual situação financeira pelo prejuízo da venda cancelada do Plata ao Dínamo de Moscou (R$ 60 milhões); pela expectativa de "naming rights" do Maracanã que não se concretizou (R$ 55 milhões), e pelo gasto com a nova comissão técnica após a demissão de Filipe Luís e a chegada de Leonardo Jardim.
Paquetá em Flamengo x Estudiantes
André Durão
O futebol foi o "carro chefe" para o maior endividamento. A readequação do orçamento precisou reduzir em R$ 94 milhões a estimativa de arrecadação com vendas de jogadores, e um aumento de R$ 234 milhões em contratações acima do orçado. Lembrando que a diretoria teve propostas na última janela e decidiu não negociar jogadores para buscar os títulos brasileiro e da Libertadores.
No torneio continental, a eliminação na semifinal foi um duro golpe. Caso tivesse conseguido ir para a decisão e fosse campeão, teria embolsado mais R$ 130 milhões. Soma-se a isso a queda precoce na Copa do Brasil e os vices na Recopa Sul-Americana e Supercopa. O título brasileiro pouco muda o cenário porque a diferença que recebe o primeiro para o segundo ou terceiro colocados é pequena.
Houve ainda aumento de 7,3% das despesas gerais e administrativas (R$ 15 milhões) e 25,4% dos custos operacionais do Maracanã (R$ 17,8 milhões). Um dos poucos itens que aumentou na readequação foi a receita com sócios, que subiu 7,6%: de R$ 39,2 milhões para R$ 42,1 milhões. Importante destacar que a suspensão do patrocínio master não teve relação com a situação financeira atual, uma vez que o Flamengo já tinha antecipado o valor de todo o primeiro ano do contrato.
Flamengo contava com "naming rights" para o Maracanã em 2026
Kirby Lee/Imagn Images
Em nota, o Flamengo minimizou o déficit e destacou que a dívida está controlada (veja abaixo):
"A readequação orçamentária é um procedimento previsto no Estatuto do Flamengo e faz parte das práticas de boa governança e transparência adotadas pelo Clube. Trata-se de uma revisão regular: ao longo do ano, o orçamento aprovado originalmente é confrontado com o que de fato aconteceu, e as projeções são ajustadas para refletir a realidade do exercício.
A leitura mais importante da readequação está na composição da receita. Embora alguns números absolutos orçados para 2026 não tenham sido atingidos, a qualidade da receita melhorou em comparação com o ano anterior: uma parcela maior do que o Clube arrecada vem de fontes recorrentes, que tendem a se repetir nos próximos anos, e uma parcela menor depende de eventos pontuais.
O Flamengo enquanto negócio está girando, crescendo e mostrando evolução consistente, com uma base de receita mais sólida e previsível.
Mesmo sem atingir a meta prevista no orçamento original, os índices de endividamento do Flamengo permanecem em níveis confortáveis. A relação entre a dívida e a capacidade de gerar caixa, chamada de alavancagem, está em 1,2x comparada ao EBITDA recorrente, abaixo do registrado em dezembro de 2024, quando o índice era de 1,8x.
O EBITDA é uma medida de resultado operacional: indica quanto o negócio gera de caixa com suas atividades, antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Já o EBITDA recorrente considera apenas as receitas que se repetem todos os anos e deixa de fora receitas extraordinárias, como venda de atletas, premiações por títulos e participação na Copa do Mundo de Clubes da FIFA.
Na prática, isso significa que o Flamengo seria capaz de quitar toda a sua dívida em cerca de um ano e alguns meses apenas com o caixa gerado pela operação, sem depender de receitas extras."
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