Veja para quais times torcem os presidentes da história do Brasil
Neste domingo, o Brasil tem um compromisso com a democracia para eleger o novo presidente da República.
De um lado, o corintiano Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta a reeleição e o seu quarto mandato. Do outro, Flávio Bolsonaro, que pode se tornar o primeiro vascaíno a ocupar o cargo mais importante da nação.
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Implantado no Brasil em 1889, o sistema republicano tem quase o mesmo tempo no país que o futebol, introduzido por Charles Miller apenas cinco anos depois, em 1894. Sendo assim, como uma paixão popular, vários presidentes declararam abertamente os seus clubes do coração.
O ge traz a lista de alguns nos quais há fontes confiáveis da relação com os clubes. O que começa a aparecer apenas a partir de Getúlio Vargas, que ficou no comando do País por 18 anos e 6 meses, em dois períodos, entre 1930 a 1945 e entre 1951 a 1954.
Getúlio Vargas (Grêmio)
Getúlio Vargas e a maquete do estádio Olímpico
Arquivo
Nascido em São Borja, interior do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas era torcedor do Grêmio declarado e teve papel fundamental para a construção do Olímpico ao liberar os recursos necessários para a finalização do estádio, inaugurado em setembro de 1954. Um mês depois do presidente tirar a sua própria vida com um tiro no peito no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro.
O estádio Olímpico foi a casa do Grêmio até fevereiro de 2013.
Eurico Gaspar Dutra (Flamengo)
Eurico Gaspar Dutra, presidente do Brasil entre 1946 a 1951 e torcedor do Flamengo
Arquivo/Globo
Eleito às pressas após a primeira era Vargas, em 1945, o Marechal Eurico Gaspar Dutra governou o Brasil entre 1946 e 1951, período em que o País sediou pela primeira vez a Copa do Mundo. Torcedor do Flamengo, ajudou na ampliação da sede do clube antes mesmo de assumir à presidência. Em sua homenagem, o Flamengo disputou em 1955 o Troféu Marechal Eurico Gaspar Dutra contra o Nacional, do Uruguai, e foi campeão.
Café Filho (Alecrim-RN)
Café Filho, ex-presidente da República, que foi goleiro do Alecrim-RN
Arquivo Globo
Após a morte de Getúlio Vargas, em 1954, quem assumiu a presidência da República foi o potiguar Café Filho, que se tornou assim o primeiro e até hoje único ex-jogador de futebol a virar presidente do Brasil. Sim, Café Filho tinha uma ligação íntima com o esporte, sendo um dos fundadores e posteriormente goleiro do Alecrim-RN, clube sete vezes campeão potiguar e atualmente na segunda divisão do estado.
Juscelino Kubitschek (Cruzeiro)
Juscelino Kubitschek , ex-presidente do Brasil e torcedor do Cruzeiro
Arquivo Globo
Figura emblemática na política brasileira, Juscelino Kubitschek gostava muito de futebol e era o presidente do Brasil no título mundial de 1958 (governou o País entre 1955 a 1959). Fervoroso torcedor do Cruzeiro, deu nome ao primeiro estádio do clube, em 1945. Em 1962, assinou uma flâmula que se tornou um item histórico do clube: "Ao meu querido Clube CRUZEIRO do qual tenho sido fervoroso torcedor. A homenagem de Juscelino Kubitschek.”
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Jânio Quadros (Corinthians)
Jânio Quadros, ex-presidente do Brasil e torcedor do Corinthians
Arquivo/Globo
Eleito em 3 de outubro de 1960 com um recorde de votos (cerca de 5,6 milhões), usando uma vassoura como símbolo de campanha contra a corrupção, Jânio Quadros ficou apenas sete meses no poder até renunciar. Declarado torcedor corintiano, já nos anos 80, quando era prefeito de São Paulo, deu ao clube a concessão do terreno onde hoje está construído a Neo Química Arena.
João Goulart (Internacional)
João Goulart, ex-presidente do Brasil e torcedor do Internacional
Arquivo Globo
Presidente que assumiu após a renúncia de Jânio Quadros, ficou no poder até 31 de março de 1964, quando se instaurou a ditatura militar no País. Nascido em São Borja, mesma cidade de Getúlio Vargas, Jango, como também era conhecido, era torcedor do Internacional e chegou a jogar no time juvenil do clube na juventude. Em 1976, dias após a sua morte, o Internacional planejou homenageá-lo durante a final do Campeonato Brasileiro, mas foi impedido pela ditadura. A homenagem veio apenas em 2013, com um minuto de silêncio que também homenageou Nelson Mandela.
João Goulart, ex-presidente da República, foi jogador do Internacional na Juventude
Arquivo Pessoal
Emílio Garrastazu Médici (Grêmio e Flamengo)
Emílio Garrastazu Médici, ex-presidente do Brasil, com Carlos Alberto Torres após a conquista do tri
Arquivo/Globo
Presidente dos anos de chumbo da Ditadura Militar, entre 1969 a 1974, Médici era natural de Bagé, no Rio Grande do Sul, e por isso originalmente torcedor do Grêmio. Porém, ao assumir a presidência, passou a ser declarado também torcedor do Flamengo, muitas vezes indo ao Maracanã. Na preparação para a Copa de 1970, chegou a sugerir a convocação de Dadá Maravilha. E foi atendido, vencendo uma quebra de braço com o então técnico da seleção, João Saldanha, que foi demitido.
Ernesto Geisel (Botafogo e Vasco)
Ernesto Geisel, ex-presidente do Brasil e torcedor do Botafogo
Arquivo/Globo
Quarto presidente da Ditadura Militar, o general Ernesto Geisel era torcedor declarado do Botafogo e chegou a receber o título de sócio honorário do clube. Porém, uma curiosidade. No final do seu mandato, recebeu também o título de presidente de honra do Vasco, como agradecimento pela cessão de um terreno. Na ocasião, afirmou que também passaria a torcer pelo Cruzmaltino.
João Figueiredo (Grêmio e Fluminense)
João Batista Figueiredo, ex-presidente da República
Arquivo/Globo
Último presidente da Ditadura Militar (entre 1979 a 1985) o General João Batista Figueiredo era torcedor do Grêmio, com direito a frequentar o estádio Olímpico. Em um dessas visitas, em um Gre-Nal válido pela final do Campeonato Gaúcho de 1979, ele encontrou com a primeira torcida organizada LGBTQIAP+ do Brasil, a Coligay. No Rio de Janeiro, era torcedor do Fluminense, chegando a ser declarado, inclusive, como presidente de honra do clube.
Conheça a Coligay, primeira e única torcida organizada para homossexuais nos estádios
Tancredo Neves (América-MG)
Tancredo Neves, ex-presidente da República e torcedor do América-MG
Arquivo Globo
Primeiro presidente civil eleito, mesmo que indiretamente após o fim da Ditadura Militar, o mineiro Tancredo Neves nunca chegou a assumir o cargo, morrendo no dia 21 de abril de 1985, de falência múltipla de órgãos. No futebol se dizia torcedor do América-MG, mas em uma entrevista à Revista Placar no início dos anos 80, afirmou, politicamente: "Sou torcedor do América-MG, mas tenho grande admiração pelo Cruzeiro, pelo Atlético, assim como todos os times do interior".
José Sarney (Sampaio Corrêa e Flamengo)
Ex-presidente José Sarney, torcedor do Flamengo
Arquivo Pessoal
Vice de Tancredo, coube ao maranhense José Sarney fazer a transição entre o fim da Ditadura Militar a a volta das eleições diretas. Em sua terra natal, o ex-presidente é torcedor declarado do Sampaio Corrêa. Já a nível nacional, sua paixão é o Flamengo, inclusive com o clube presente no bolo do seu aniversário de 96 anos, completados em abril.
Fernando Collor (CSA)
Ex-presidente Fernando Collor, torcedor do CSA
Arquivo Pessoal
Primeiro presidente eleito democraticamente após 29 anos, o alagoano Fernando Collor também foi o primeiro a sofrer um impeachment, ficando na presidência entre 1990 e 1992. Antes, porém, já havia sido presidente, mas no futebol, quando comando o CSA, seu clube do coração, em 1973 e 1974. Na ocasião, contratou para dois amistosos contra o ASA o bicampeão mundial e já quase aposentado Garrincha. Também foi campeão alagoano em 1974.
Fernando Henrique Cardoso (Corinthians)
Fernando Henrique Cardoso, presidente da República no penta, em 2002
Arquivo Globo
Pai do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso foi eleito em 1994 e o primeiro presidente reeleito em 1998, ficando no cargo entre 1995 e 2002. No futebol, era um torcedor declarado do Corinthians, contando inclusive com o apoio do ídolo Sócrates, na sua campanha para prefeito de São Paulo, em 1985, perdendo a eleição para outro corintiano, Jânio Quadros. No Rio, simpatiza com o Fluminense.
Lula (Corinthians)
Lula com jaqueta do Corinthians em foto tirada em 2021
Ricardo Stuckert/Arquivo Facebook
Outro declarado torcedor do Corinthians é o atual presidente Lula, que busca o seu quarto mandato, após ganhar as eleições para presidente em 2002, 2006 e 2022. Inclusive, em diversas ocasiões, o presidente costuma opinar sobre a fase do time em discursos públicos. Mas além do Timão, Lula também já declarou simpatia por outros clubes, como o Vasco, o Cruzeiro e o Náutico (ele é pernambucano).
Dilma Rousseff (Atlético-MG)
Dilma Rousseff, ex-presidente da República e torcedora do Atlético-MG
Bruno Sales/Atlético-MG
Sucessora de Lula em 2011, a mineira Dilma Rousseff se tornou a primeira mulher a se tornar presidente de Brasil, sendo reeleita em 2014, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo pela segunda vez. Ela deixou a presidência no meio do segundo mandato, após sofrer impeachment em 2016. Torcedor do Atlético-MG, parabenizou o clube pela conquista da Libertadores em 2013. Também mostra simpatia pelo Internacional, por ter feito carreira política no Rio Grande do Sul.
Michel Temer (São Paulo)
Michel Temer erra nome do Corinthians durante discurso na ESPM
Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo
Vice de Dilma, Michel Temer tomou posse após o impeachment, permanecendo na presidência entre 2016 e 2018. Se declara torcedor do São Paulo, chegando a ser recebido de helicóptero no CT do clube, mas não é muito ligado ao futebol. Tanto que em 2018 cometeu duas gafes seguidas ao errar o nome do Corinthians, primeiro chamando o clube de "Sociedade Esportiva Corinthians" e depois de "Corinthians Futebol Clube". O nome correto é Sport Club Corinthians Paulista.
Jair Bolsonaro (Palmeiras)
Bolsonaro - Palmeiras x Vitória
Renato Pizzutto/BP Filmes
Jair Bolsonaro se declara torcedor do Palmeiras, com direito a receber a taça do título brasileiro de com os jogadores, dentro do gramado do Allianz Parque, em 2018, mesmo ano em que foi eleito. Apesar disso, já pousou para fotos com camisas de vários clubes do País, inclusive de rivais, como o Corinthians e Santos. Em 2021, na final da Libertadores, declarou torcida para o Flamengo, contra o próprio Palmeiras: "Amanhã, somos todos Flamengo", disse. O título ficou com o Palmeiras.



