Irmãos Batagim estrelam campanha do Outubro Rosa promovida pelo Goiás
"Carol Guerreira!". Com este canto, a torcida do Goiás acolheu a irmã do capitão do time, Henrique Batagim, dias após o diagnóstico de câncer de mama. Dois anos depois deste apoio, o clube lança nesta terça-feira (27) uniformes especiais para uma campanha do "Outubro Rosa", com foco na conscientização deste tipo da doença, considerado o mais letal entre mulheres no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).
As camisas estreiam junto com o time na temporada 2026/2027 da Superliga. O Goiás visita o Suzano, em partida transmitida com exclusividade pela ge tv, a partir de 18h30. O pré-jogo, porém, começa às 18h.
Irmãos Batagim estrelam campanha do Outubro Rosa do clube goiano
Goiás
A ação será representada através de dois modelos: o uniforme principal, em que o verde característico dará lugar ao rosa, com detalhes em preto, enquanto os líberos vestirão uma peça predominantemente preta com toques rosa. A mudança drástica no padrão quer mobilizar os torcedores e ampliar a conversa acerca dos cuidados com a saúde da mulher e destacar a importância do diagnóstico precoce para aumentar as chances de cura.
- A gente sabe que o câncer é uma palavra muito pesada, mas tem cura. Eu falo para todas as mulheres: "Se cuidem! Façam o autoexame!". Eu sei que a gente perde o chão, sei que não é fácil, mas não desistam! Converse com seu oncologista. Fale: "Olha, eu gosto disso. Deixa eu viver, deixa eu fazer!". Realmente, viva a cura - comentou Carol Batagim.
Carol Batagim no Ginásio Rio Vermelho durante período de tratamento
Karen Esportes
No caso dela, a conversa com a médica sobre hobbies e hábitos no tempo livre envolveu uma paixão que ela compartilha com o irmão: o vôlei.
- Eu sabia que estar aqui com toda a torcida esmeraldina, com isso aqui, que sempre amei, iria fazer parte da minha cura - comentou a projetista de 38 anos.
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Em julho de 2024, aos 36 anos, ela sentiu um "caroço" em uma das mamas. O autotoque, segundo o Inca, é uma das principais formas de descoberta de câncer, mas, atualmente, o Ministério da Saúde recomenda a realização de mamografia de rastreamento para mulheres entre 50 e 74 anos, a cada dois anos.
A descoberta de Carol propiciou a ida ao mastologia e a realização de uma série de exames até o diagnóstico da doença: HER 2 positivo em estágio 2. Segundo ela, este subtipo tem forte relação com obesidade.
Carol conta processo de diagnóstico e tratamento, além da importância do apoio da torcida
O início do tratamento, em setembro de 2024, coincidiu com as primeiras rodadas da temporada 2024/2025, que marcaram o retorno do Goiás à elite do vôlei nacional após o clube ser campeão da Superliga B. Apesar das possíveis reações do medicamento, ela não deixou de acompanhar o irmão e foi surpreendida pela torcida no Ginásio Rio Vermelho.
- Foi muito louco. Muito doido. (...) O primeiro jogo da Superliga eu já tinha feito quimio e, muitas vezes, o Henrique até falava para não vir e eu vinha. Quando a galera me viu aqui, já tinha perdido os cabelos, foi muito maluco porque todo mundo sabia, me abraçava. Todo mundo gritava. Foi a época em que fui mais acolhida. As pessoas perguntavam: "Por que você vai?", "Fica em casa!". Eu, realmente, só ficava em casa quando não conseguia vir porque, para mim, estar aqui fazia parte da minha cura - relatou.
Carol Batagim continuou a frequentar jogos do Goiás após diagnóstico
Goiás
Carol reforça que o diagnóstico precoce foi crucial para aumentar as chances de cura e contribuiu para que os exames da projetista estejam há cerca de dois anos sem detectar células cancerígenas.
- Foram seis meses de quimioterapia, depois retirei toda a mama esquerda, fiz a radioterapia, um ano de imunoterapia. Hoje estou há dois anos em remissão. Continuo usando os medicamentos, que permanecerão por dez anos.
De dentro de quadra, Henrique entende que vestir esta camisa é uma forma de estar mais próximo de pacientes que vivem este cenário. Além disso, ele recorda que, desde a conquista do acesso à Superliga A, a irmã foi "uma das nossas grandes torcedoras".
Capitão do Goiás, Henrique Batagim veste uniforme especial para Outubro Rosa
Goiás
- Foi emocionante. Lembro deste jogo. Foi uma época muito bagunçada das nossas vidas, fomos pegos de surpresa, mas saber que a torcida estava do nosso lado, a gente usa isso como energia. Acho que tem muito do nosso amor ao clube, não o meu, mas também de toda a minha família - relembrou o capitão.
Segundo Batagim, a saída do verde predominante no uniforme esmeraldino para dar lugar ao rosa surpreendeu positivamente o elenco.
- O pessoal ficou muito feliz pela homenagem. Creio que isso demonstra toda a energia que minha irmã coloca fora. Não só ela, mas todas as mulheres que estão lutando contra o câncer. Tenho certeza que elas vão vencer.
Capitão do Goiás, Henrique Batagim, fala sobre campanha e apoio de torcedores
Por isso, Carol ressalta a importância de ações como esta do time goiano para chamar atenção para a doença, que conta com unidades hospitalares especializadas com tratamento gratuito no Sistema Único de Saúde (SUS).
- Quando o Henrique comentou comigo, achei uma iniciativa muito legal. O câncer de mama, por mais que já existe o Outubro Rosa, é algo que precisa ser falado. (...) Hoje devido a toda tecnologia da medicina, a conscientização, realmente, salva vidas. Por isso, logo falei: "Irmão, vamos lá! Pode contar comigo".
O uso do esporte como ferramenta de conscientização foi o princípio do propósito desta campanha logo na estreia, conforme contou o gerente de marketing do Goiás, Rogério Farina. Com um uniforme tão diferente do habitual, o clube quer levar o tema para milhares de mulheres que acompanham o vôlei. O Atlas de Mortalidade aponta 20.820 óbitos em decorrência deste tipo de câncer em 2024, último ano disponível de dados.
- Todos presenciaram a luta da Carol contra o câncer de mama e o quão o Goiás, o vôlei e a união em prol da cura dela foram importantes para o processo, desde o diagnóstico até a remissão. A ideia foi pegar um caso, em que a gente lutou junto e usar de exemplo.




