Leonardo Jardim diz que Flamengo teve mérito grande em vitória sobre o Atlético-MG
Quatro dias depois da eliminação na Libertadores, o Flamengo voltou ao Maracanã e conseguiu uma vitória apertada contra o Atlético-MG, por 3 a 2, na noite desta segunda-feira, pelo Campeonato Brasileiro. O resultado manteve os rubro-negros na liderança e com o favoritismo do único título ainda em disputa na temporada.
Ao fim do jogo, o técnico Leonardo Jardim analisou o resultado. O Flamengo saiu atrás no placar, buscou a virada, sofreu o empate e conseguiu um gol de pênalti, no último minuto.
— Se sofrido for a emoção do resultado até o fim e o gol no fim, posso considerar sofrido. Se foi sofrido no jogo, acho que não. O Flamengo além do controle do jogo, criou inúmeras situações para conquistar o resultado, e o adversário teve uma eficácia muito perto dos 100% — afirmou, em entrevista coletiva.
— Por isso, o resultado foi mínimo, mas o mérito foi grande. Se havia uma equipe que merecia ganhar era o Flamengo.
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Leonardo Jardim em Flamengo x Atlético-MG
André Durão
O Flamengo dominou o primeiro tempo da partida, com posse de bola acachapante e muitas chances criadas, mas, novamente, pecou bastante nas conclusões. Na segunda etapa, as substituições promovidas pelo técnico desorganizaram a equipe e abriram espaço para o adversário crescer e empatar. O time foi salvo por um gol no fim, na pressão.
O resultado evitou mais uma noite de frustração da torcida rubro-negra, que lotou o estádio e apoiou do início ao fim. Além disso, manteve o Flamengo firme na luta pelo único título possível no fim desta temporada, após a eliminação da Libertadores.
— Nos primeiros dois dias, eu, a equipe técnica e os jogadores fizemos o nosso luto, porque isso abalou todos nós, não foram só os jogadores. Eu próprio e todo o estafe ficamos tristes. Às vezes é preciso fazer o luto e, depois, no outro dia, falei com eles que agora temos o jogo do campeonato. Sabemos que ser campeão brasileiro já é uma motivação extraordinária. Por isso temos que recuperar energia.
O time carioca tem como único foco na temporada a busca pelo título do Brasileirão. O próximo compromisso é o clássico contra o Vasco, na quinta, às 20h, no Nilton Santos.
Flamengo 3 x 2 Atlético-MG | Melhores momentos | 32ª rodada | Brasileirão 2026
Veja outras respostas do treinador:
Análise do jogo
— Se sofrido foi a emoção do resultado até o fim e o gol no fim, posso considerar sofrido. Se foi sofrido no jogo, acho que não. O Flamengo além do controle do jogo, criou inúmeras situações para conquistar o resultado, e o adversário teve uma eficácia muito perto dos 100%. Foi um jogo em que a torcida mais uma vez apoiou do início ao fim. Os que começaram foram muito bem, mas o adversário fez no contra-ataque. Na segunda parte, fizeram um gol em que, defensivamente, poderíamos ter feito melhor, mas voltamos a assumir o controle do jogo outra vez, criamos situações e justificamos o resultado. Por isso, o resultado foi mínimo, mas o mérito foi grande. Se havia uma equipe que merecia ganhar era o Flamengo.
Possibilidade de o Flamengo vencer processo na Conmebol em "caso Rojo"
— Eu acredito que é possível, mas essa situação está no departamento jurídico e eu não vou me alongar.
Jogo no gramado sintético contra o Vasco
— A decisão não está do lado do Flamengo, mas do adversário e eu não posso comentar. O adversário acha que pode ser mais forte naquele estádio contra nós e, do nosso lado, é recuperar de hoje, de forma a fazer um bom jogo e tentar continuar com os resultados positivos, com os três pontos, para continuarmos no primeiro lugar. Sabemos que é um clássico, que sempre é um jogo muito emotivo, e vamos buscar sermos competentes.
Expectativa no fim do Brasileirão
— Com certeza o torcedor do Flamengo sabe muito bem, estão habituados a jogar por títulos e estão habituados, algumas vezes, a ter derrotas marcantes, como foi essa derrota. Isso também cria uma certa intranquilidade, uma certa falta de confiança nos jogadores. Hoje eu senti que em alguns detalhes tínhamos muito mais tranquilidade, mas com certeza todos correram muito. Todos queriam ir bem, todos queriam ganhar o jogo, mas as vezes o correr não é sinônimo de fazer bem. Hoje eu senti essa intranquilidade, falei isso no vestiário, um certo nervosismo, de fazer as coisas rápidas demais e graças a Deus que as coisas foram ao nosso favor e penso que essa vitória vai voltar a dar confiança e mais tranquilidade como tínhamos até aqui.
Momento do Pedro
— Com certeza que ansiedade e tranquilidade. Não é bem ansiedade, mas sim tranquilidade. Não se refere só ao coletivo, mas ao individual também. Aqueles atletas que têm muito sucesso individual, quando param de ter, às vezes isso pode acontecer. Mas, em termos de trabalho e dedicação, ele tem sido exemplar. Ainda hoje recuperou algumas bolas e ganhou alguns duelos que foram importantes.
Avaliação do próprio trabalho
— Há duas formas de avaliar o trabalho: uma é pelos títulos, e a outra é pelo percentual de sucesso. Acho que o percentual de sucesso é de bom nível. Na semifinal, dois empates fizeram a gente perder nos pênaltis.
— Às vezes, cai para um lado ou para o outro. Aqui no Brasil, não tenho tido muita sorte. No ano passado, perdi outra semifinal também nos pênaltis, e este ano voltou a acontecer. É sempre uma ocasião difícil.
— Como já disse, acho que, na campanha da Libertadores, se tivéssemos conseguido uma vitória, teria sido a melhor campanha dos últimos tempos. Então, acho que podemos fazer uma autoanálise, mas, sobre o que você perguntou, se posso fazer melhor, eu acordo todos os dias para fazer melhor. Eu, como treinador, já passei por vários países e continentes e, quando acordo de manhã, sempre quero fazer o meu melhor. Não faço cópias do que já fiz; tento sempre inovar, gerir jogadores e problemas de forma diferente. Esse é o meu trabalho como treinador.
Mudança de postura do Atlético
— Sobre a primeira pergunta, no primeiro tempo, o adversário não saiu de lá de trás. Só saiu em dois contra-ataques. No segundo tempo, o adversário se disponibilizou mais para o jogo. Penso que a entrada de três jogadores que costumam jogar no Atlético deu mais qualidade ofensiva. Chegaram mais à frente. Tivemos um problema quando saíram alguns jogadores e entraram outros, não conseguimos encaixar e, depois, na parte final, voltamos a encaixar e conseguimos voltar a ter esse controle.
— Por isso, a fase de equilíbrio que aconteceu entre os 65 e os 75 minutos foi porque o adversário refrescou a equipe e se expôs mais ao jogo, o que não aconteceu na primeira parte. Eles tinham a estratégia, e cada um utiliza a sua estratégia: sair em uma linha, outra em contra-ataque e defender com o bloco muito junto. Tiveram a felicidade de fazer o gol, e conseguimos dar a volta. Esses três pontos são muito importantes para nos dar a liderança e mais confiança.
Impacto da eliminação na Libertadores
— Nos primeiros dois dias, eu, a equipe técnica e os jogadores fizemos o nosso luto, porque isso abalou todos nós, não foram só os jogadores. Eu próprio e todo o staff ficamos tristes. Às vezes é preciso fazer o luto e, depois, no outro dia, falei com eles que agora temos o jogo do campeonato. Sabemos que ser campeão brasileiro já é uma motivação extraordinária. Por isso temos que recuperar energia. O campeonato estava a 7, agora está a 6 jogos do fim. Nós éramos o líder com números de jogos iguais, agora voltamos a ser líder com os mesmos jogos. Por isso não existe motivação maior do que jogar a liderança do campeonato, e a equipe tem que se motivar e criar energias. Eu, sinceramente, estou no futebol há muitos anos e só uma vez joguei pelos últimos lugares, e os últimos lugares é difícil de jogar, como vocês dizem. O Z-4 é uma situação extremamente difícil. Mas jogar para ser campeão, temos que acordar todos os dias motivados e pensar o que vamos fazer, porque ser campeão é aquilo que pretendemos em todos os trabalhos que desenvolvemos e os jogadores também. Por isso tem que ter essa motivação. E estamos falando do Campeonato Brasileiro, talvez o campeonato mais importante. Muitos dizem que é a Libertadores, mas nós estamos no Brasil e, para mim, é uma competição de muita importância, igual à Libertadores.
Flamengo tem como sofrer menos?
— Com certeza. E eu falo com os jogadores. Hoje falava com o Jorginho no intervalo, eu dizia para ele: "Jorginho, vai para cima deles, se tiver que fazer um drible, faz um drible, não á problema". Mas às vezes tem a ver com as características dos jogadores, e essa equipe é de muitos passes. Às vezes no último terço, se tivéssemos um ou outro jogador que fosse mais agressivo em termos no duelo "1x1", às vezes era benéfico, principalmente quando há blocos baixos, mais fechados. Mas com certeza todos os jogadores tentam fazer o melhor, o Lino procura essas situações, o Carrascal roda e tenta essas situações do drible porque é importante já que que atacamos muito. Jogamos muitas vezes no erro do adversário e é importante esse tipo de jogadores que nós temos. Temos mais jogadores de passe, mas temos que jogar com os jogadores que temos, e minhas substituições foram relacionadas a isso. Dar mais de possibilidade ofensiva, mais presença na área e um posso mais de agressividade com bola em termos estratégicos.
Sobre dificuldade com retrancas
— Os jogadores eram próximos, mas hoje não se pode comparar o bloco baixo do Atlético com o do Estudiantes. São totalmente diferentes os níveis de agressividade. Eles foram muito mais fortes nos duelos. O Atlético defendeu em bloco baixo, mas manteve muita agressividade nos duelos. O que acontece é que, aos dois minutos, já criamos chances em que poderíamos ter feito o 1 a 0. Por isso, é o que digo: o futebol tem sempre dois lados. A mesma proposta, com um cliente, pode funcionar com um e com outro menos bem. Quando começamos, não sabíamos que aquela era a proposta deles. Achávamos que eles viriam mais para o jogo, mas inverteram a situação: no primeiro tempo, jogaram mais baixos e, no segundo, mais altos.
— Como equipe, temos que dar resposta às diferentes situações. Às vezes, o adversário joga de forma diferente, e teremos que ter uma pressão melhor e mais qualidade na transição. Por isso, as nossas propostas nunca são só de um lado. A gente observa, mas o adversário às vezes é diferente, e também pode ser diferente de momento para momento. O que estava a acontecer no início depois não aconteceu. A proposta mudou, principalmente depois que fizeram o 2 a 2.
Atuação do Freitas
— O Freitas é um jogador assume às vezes o drible, assume as situações de 1 x 1 muitas vezes. Mas é um jogador que, dentro da área, tem pouca presença. Ele gosta de ser um pouco móvel. Eu mantive ele como segundo, mas depois ele estava fugindo da zona da área, longe do BH, e depois eu troquei com o Lino para jogar mais perto do BH e ele jogar mais por fora. O Carrascal pela esquerda para termos mais referência por fora, mas termos mais presença dentro da área, em termos estratégicos. É um jogador que está chegando no Flamengo, é jovem, que a gente acredita, por isso ele tem jogado muitas vezes. Estamos felizes com ele. Com certeza amanhã pode jogar de início, mas acredito que ele não é um atacante de centro que faça o papel do Pedro ou do Bruno Henrique. É um segundo atacante que gosta de bola e procura a bola, e gosta de movimento; ele está sempre em movimento.
Posicionamento do Paquetá
— Com certeza que em um jogo com o adversário em bloco mais baixo, é importante termos um meia com outro estilo que não é o Paquetá, com jogo mais dinâmico. Para nós foi muito difícil essa nova lesão do Arrascaeta porque ele é um jogador importante. "Ah mas só joga 60 minutos", mas em 60 minutos ele é muito bom, ele cria dinâmicas muito importante, por dentro, por fora, e isso permite nossas nuances táticas. Com certeza que quando não o temos, temos que ter outras soluções e Paquetá tem sido uma delas, mas acredito que seja menos com a vinda do Arrascaeta. No próximo jogo, acho que Carrascal está fora e veremos entre eles e também temos o Freitas que é capaz de fazer isso. O Lino também tem mobilidade e gosto disso em termos ofensivos.
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