A possível queda do Avaí para a Série C e a demora na efetivação do contrato com a Kactus - futura compradora da SAF azurra - têm gerado uma série de questionamentos e dúvidas. Seja na imprensa ou entre os torcedores, há questões em aberto sobre o acordo e o futuro do Avaí.
Após o impacto da derrota, em casa, para o Botafogo-SP, houve um agito maior, inclusive com disseminação de fake news em grupo de conversa de torcedores. Um deles dizia que “a kactus não iria comprar a SAF do Avaí enquanto o clube não pagasse pelos empréstimos feitos no meio do ano”, logo após a aprovação da empresa no Conselho.
Bandeira do Avaí na Ressacada
Leandro Boeira / Avaí F.C.
+ Quem é a Kactus Capital, empresa que fez proposta para comprar a SAF do Avaí?
Para tentar responder alguns pontos, conversei com interlocutores do negócio entre a Kactus e o Avaí. Coloquei perguntas que são pertinentes em relação ao momento do clube no final da temporada e possibilidade de queda para a Série C e até outras que o próprio torcedor tem mandado para a imprensa de uma forma geral.
Em resumo, o que ouvi foram explicações plausíveis sobre a demora no processo e uma confiança de firmeza no propósito dos dois lados do negócio. Mas as perguntas e respostas você lê abaixo:
Presidente do Conselho Deliberativo do Avaí dá o resultado da votação da venda da SAF
O investimento da Kactus é o mesmo se o Avaí estiver na B ou se realmente cair para a Série C?
O investimento é o mesmo, compromisso financeiro é o mesmo, mas as obrigações de pagamento de folha mensal são menores para a disputa da série C. No acordo aprovado já existia essa previsão.
Como estão as análises de contratos?
Somente após o período de due dilligence que os contratos começaram a ser discutidos, porque, até então, não havia um quadro mais definido das dívidas do clube - aqui é preciso entender que a ideia de que “eles sabiam muito bem o que estavam comprando” não é tão real assim. Ninguém sabe bem o que está comprando se não for lá pessoalmente ou com seus assessores olhar e analisar números, dívidas e créditos que muitas vezes nem são conhecidos ao tempo do fechamento do acordo.
O que falta para assinarem o acordo de compra da SAF?
O contrato de compra das ações depende da formalização de outros contratos e outros instrumentos que são os “acordos de acionistas”. Eles são bem complexos e já estão em debate, um a um, cláusula por cláusula. São centenas de páginas e acordos para garantir a segurança do Avaí e da Kactus.
Torcedor questiona que tem ouvido, que o que está "rolando", é que a Kactus deu para trás por conta do fim das bets...
Não é verdade. Nada do projeto da Kactus está contando com recurso das bets. Com relação ao Avaí, o clube já não tinha uma receita representativa de bets, portanto a questão da saída das bets para o Avaí talvez possa até ser entendida como uma vantagem competitiva.
Ressacada
Leandro Boeira/Avaí F.C.
Se o preço do Avaí e o investimento da Kactus baixarem com a queda para a Série C, não estaria a Kactus alongando prazos e isso poderia estar colaborando para o pior cenário com insuportáveis atrasos de salários no clube e pressão na Série B?
A Kactus nada tem a ver com os salários atrasados ou com a possível queda do Avaí. Em tese, a Kactus pode até perder dinheiro com a queda do Avaí porque “comprou um time na B” e pode “ficar com um time na C”.
A questão da Saf do Avaí ainda está na justiça?
O questionamento de formação da SAF na Justiça atrasou muito o processo, afastou investidores, mas com a regularização de uma nova Assembleia Geral feita pelo clube foi solucionada.
E se a Kactus desistir do Avaí? Seja pela queda para a Série C ou por qualquer outro motivo?
A única hipótese que existe no contrato é o Avaí não querer cumprir alguma exigência que venha a ser feita e o próprio Avaí desistir da Kactus.
A Kactus, por seu lado, poderia converter os R$ 5 milhões em empréstimo e alegar que não vai seguir com a compra das ações, mas aí podem ser por inúmeros motivos, como por exemplo, aumento de dívida sem que haja indicativo de que consiga pagar com o faturamento da SAF. Neste caso a série C poderia ser um dos elementos, um dos problemas, porque o faturamento, a receita, cai de R$ 40 milhões/ano para R$ 12 milhões.
Mas Kactus e Avaí não deram qualquer sinal de possibilidade de desistência nesse período, desde a aprovação no Conselho, no final de junho.
Avaí x Ceará - Ressacada
Fabiano Rateke/AFC
Em Cima do Lance com Rodrigo Faraco
O jornalista Rodrigo Faraco é o mais novo colunista do ge.globo/sc. Comentarista da rádio CBN Floripa e NSC TV, ele trará bastidores, informações e opiniões sobre o futebol catarinense.
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