Ter "sangue no olho" e sentir orgulho em vestir a camisa do Corinthians. São afirmações como essa e valores de luta e entrega historicamente associados ao clube que norteiam o trabalho de Guilherme Nascimento como técnico da equipe sub-17 do Timão.
Neste sábado, às 11h (horário de Brasília), os garotos enfrentam o Cruzeiro, na Neo Química Arena, pelo primeiro jogo da final do Campeonato Brasileiro Sub-17. O confronto terá transmissão do sportv para todo o país.
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Desde que assinou com o Corinthians, em novembro do ano passado, Guilherme Nascimento tem a proposta de transformar a identidade corintiana em atitudes positivas e diárias dentro e fora de campo.
Para isso, expressões tradicionais da torcida são usadas em palestras e preleções, com o objetivo de fortalecer a confiança dos jogadores e mostrar a responsabilidade de representar o clube.
— O que seria a nossa identidade? É exatamente aquilo que a torcida pede: "sangue no olho", "não para de lutar" e entender que somos o "time do povo", o "todo poderoso Timão". A partir disso, tentamos criar um sentido prático e lógico aplicado ao nosso cotidiano — explicou o comandante.
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Durante a entrevista ao ge em sua sala no CT da base, Guilherme Nascimento mostrou à reportagem a apresentação feita aos garotos da categoria no dia em que iniciaram o trabalho juntos no Corinthians.
Além das referências histórias ao clube, com direito a uma parte dedicada exclusivamente dedicada ao ídolo Sócrates, o material destaca o respeito, a disciplina, a postura, a dedicação e o prazer de jogar como valores fundamentais para o grupo.
— O Corinthians é um clube que tem uma identidade muito forte. Apresentamos imagens e frases da torcida e conversamos sobre como aquilo deveria ter representatividade para nós como grupo. O torcedor tem que nos olhar lá da arquibancada e dizer: "esse time me representa".
— Temos cuidado com isso desde o primeiro dia. Falamos sobre os valores e identidade do clube diariamente com os atletas nos treinos e preleções para os jogos. Isso tem uma ressonância agora nesse momento decisivos — explicou o treinador.
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Com a identidade criada, o trabalho coletivo não demorou a apresentar resultado. Até o momento, a categoria sub-17 do Corinthians disputou 45 jogos na temporada com 29 vitórias, sete empates e nove derrotas com 133 gols marcados e 47 sofridos. No Brasileirão, o Timão terminou a fase de grupos com o melhor ataque e a terceira melhor defesa.
No mata-mata, os comandados de Guilherme Nascimento despacharam o Flamengo nas quartas de final, com direito a gol da classificação no último minuto, e o Red Bull Bragantino, nos pênaltis. Em ambos os confrontos, o treinador viu os aspectos identitários aflorados em campo pelos garotos.
— Na preleção do jogo contra o Flamengo falei sobre eles estarem vestindo a camisa do 'todo poderoso Timão'. O Flamengo é uma equipe grande, os caras têm uma autoestima grande, mas se tem alguém que vai chegar e olhar no olho do Flamengo é o Corinthians. Falamos que só tem um clube que, quando entra em campo, impõe respeito. E esse clube somos nós, o 'time do povo'. Somos um clube de massa, de gente diversa.
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— O propósito é, sobretudo, formar homens bons e dignos, com valores sólidos e caráter humano. As metas esportivas caminham lado a lado com tudo isso.
Fortalecido pelas experiências, o Corinthians busca o título inédito do Brasileirão Sub-17. O primeiro jogo da final será neste sábado na Neo Química Arena. Na terça, às 21h30, mineiros e paulistas voltam a se enfrentar na Arena Independência, em Belo Horizonte.
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Veja outros trechos da entrevista com Guilherme Nascimento:
O Corinthians vem de um processo de reestruturação da base iniciado no meio da temporada passada com a contratação do Erasmo Damiani. A categoria sub-17 foi uma das que mais dispensaram jogadores nos últimos meses por conta do inchaço de atletas. Depois de formado o elenco, quais foram as dificuldades enfrentadas para iniciar o trabalho com os garotos?— A dificuldade inicial foi por estarmos fora do Movimentos dos Clubes Formadores. Não pudemos participar das competições de pré-temporada, que são competições organizadas pelos clubes ou por algumas entidades que nos possibilitam ter uma melhor visualização daquilo que tínhamos em mãos. Iniciamos um trabalho interno, fechado com o desenvolvimento da equipe e dos jogadores.
— Não tínhamos um comparativo para saber em que nível estávamos. Buscamos contatos com alguns clubes parceiros, fomos ao Rio e fizemos amistosos com o Flamengo e com o Vasco para termos um parâmetro. Fomos a Curitiba jogar contra o Athletico-PR e alguns outros jogos. Fizemos a montagem do elenco e começamos as competições. Paralelamente a isso, veio o transfer ban, mas por sorte o grupo estava bem consolidado.
No mata-mata do Brasileirão, vimos um Corinthians fortalecido passando pelo Flamengo nos acréscimos do segundo tempo do jogo decisivo e depois, nos pênaltis, pelo Red Bull Bragantino. O quanto que esse trabalho de identificação com o clube envolve aspectos de força mental?— Hoje, a parte mental/comportamental é, no desenvolvimento dos atletas de alto nível, altíssima. Muitas vezes, ultrapassa a importância da parte técnica e tática. A parte fundamental do nosso trabalho no Corinthians foi o desenvolvimento dos atletas em relação a valores humanos e esportivos. Quando cheguei no clube, a minha primeira conversa com os atletas foi para falar das metas e objetivos da temporada, evidentemente, mas toda baseada em princípios e valores que deveríamos alcançar enquanto equipe.
— Preciso lembrar que são atletas de 17 anos, 16 anos e até mesmo 15 anos que estão conosco em um processo de formação como seres humanos. É normal que em um ambiente de mais pressão eles percam a fluidez daquilo que vinha acontecendo e os jogos se tornem cada vez mais tensos. Ao nosso ver, o importante é que, mesmo que a gente tenha perdido a nossa fluidez de jogo no mata-mata, a gente consegue competir lutando até o final. O mental interfere muito na dinâmica do jogo, ainda mais com atletas dessa idade, mas o importante é que não estamos perdendo a fagulha da competividade. Essa é a riqueza do processo.
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Ao fim do jogo contra o Flamengo, o Miguel Moscardo deu uma entrevista bem forte falando sobre a identificação dele com o Corinthians. Como treinador, o quanto te orgulha uma fala como aquela? — O Corinthians tem algo que é muito próprio que é ter muitos atletas que são da zona leste de São Paulo. Eles trazem essa identidade muito grande, muito dos atletas, acho que quase a totalidade, são corintianos mesmo. Eles são corintianos de berço, de localidade. Fomentar neles esse sentimento de identidade foi uma tarefa facilitada por esse motivo. Quando eu vejo a fala do Moscardo, me orgulha.
— Também temos que formar jogadores além de uma questão comercial e profundamente mercadológica de carreira. Você tem um jogador falando com emoção, sentimento e sinceridade sobre o quanto ele ama o clube, ama fazer parte do Corinthians. Estamos precisando devolver ao público um futebol de maior vínculo e pertencimento.
— Ele falou de forma espontânea, no calor da emoção, não foi planejada. É o sentimento dele, mas te garanto que é o sentimento de muitos outros. Há muito amor pelo Corinthians aqui, isso é um sopro de esperança para retomarmos algo que sentimos falta, que é esse pertencimento e identidade. Isso me deixa feliz.
O que a torcida do Corinthians pode esperar da equipe na final contra o Cruzeiro?— O Corinthians buscará ser o protagonista do jogo. Nossa equipe buscar se aproximar muito, buscar toques mais curtos até porque muitos dos atletas vieram do futsal. O time gosta de se mover, tem muitas dinâmicas para sair da marcação. Não é um posse de bola lenta, é uma posse de bola que busca sempre o gol. Temos o melhor ataque da competição na primeira fase a a terceira melhor defesa, temos esse equilíbrio e competitividade.
Pensando no processo de formação dos atletas, o quanto que a experiência de uma final nacional em um grande estádio impacta para o desenvolvimento dos seus jogadores?— O processo de formação precisa ser rico. O que é isso? Ter múltiplas vivências. Quanto mais o jogador consegue vivenciar cenários e desafios diferentes mais repertório ele vai ter. Por exemplo: jogar em diferentes posições, ficar na reserva para saber como é, conseguir ser o protagonista, fazer jogos internacionais, disputar jogos em alto nível, jogos com torcida no estádio. De fato, o principal papel da base é a formação de atletas.
— Se não nos classificássemos no Brasileirão, os atletas não poderiam vivenciar o que foi a eliminatória contra o Flamengo. Fundamentalmente, os jogos contra o Flamengo, tiveram um caráter de formação muito grande para nós. Se a gente não avança, eles não teriam a experiência contra o Red Bull Bragantino. O processo de base é aliar o resultado à formação. Temos que entender que o resultado entregará mais situações de risco e, portanto, uma melhor formação.
— A experiência de um jogo na arena é riquíssima para o futuro de cada um deles. Não é o vencer pelo vencer, é entender que o vencer traz consigo experiências e cenários de desafio para os atletas. Nosso processo não é só focado no ganhar, mas também no desenvolver.
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